A morte de Alice e Ellen Kessler: sua última aparição, a escolha da data e o legado deixado aos Médicos Sem Fronteiras

A última aparição pública das gémeas Alice e Ellen Kessler remonta ao passado dia 24 de outubro, por ocasião da estreia do espetáculo ‘ARTistART’ do circo profissional alemão Roncalli em Munique, evento com a presença de vários VIPs: foi o que noticiou a mídia alemã, que publicou fotos dos dois, ambos sorridentes e vestidos com casacos multicoloridos, na companhia da apresentadora de TV Carolin Reiber.

O jornal bávaro Abendzeitung noticia que Uschi Ackermann, viúva do conhecido empresário gastronómico Gerd Käfer, também esteve presente naquela noite. «Achei-os mais calados que o habitual e um pouco mais reservados. Pensei comigo mesmo: “Talvez eles não estejam bem”, disse a mulher aos cadernos deste jornal.

Os gêmeos Kessler já vinham pensando em suicídio assistido há algum tempo e juntos escolheram hoje, 17 de novembro, para sua morte. A informação foi relatada por um porta-voz da Deutsche Gesellschaft fur Humanes Sterben (DGHS, Sociedade Alemã para a Morte Humana), citado pelo jornal Munchner Merkur.

Ambas as mulheres eram membros da organização há mais de seis meses. A DGHS, com sede em Berlim, é uma das três associações alemãs de suicídio assistido. De acordo com o jornal bávaro, um advogado e um médico realizaram entrevistas preliminares com os Kessler e foram hoje à sua casa em Grunwald para ajudá-los. A morte ocorre por meio de infusão intravenosa, que o receptor deve ativar de forma independente, por onde flui uma alta dose de anestésico barbitúrico. Isso causa parada cardíaca e circulatória em pouco tempo.

A polícia confirmou uma investigação em Grunwald, onde os dois homens de 89 anos viviam numa villa, mas a equipa de homicídios não foi chamada ao local. As duas mulheres já haviam abordado publicamente o tema de suas mortes no passado.

Idênticos e sem filhos, os Kessler anunciaram em entrevistas, entre outras coisas, que queriam incluir instituições de caridade em seus testamentos e serem enterrados juntos. O legado dos gêmeos Kessler deveria ir para os Médicos Sem Fronteiras. As duas irmãs que morreram juntas aos 89 anos anteciparam isso há alguns anos. «Já não temos parentes e se os temos não os conhecemos. Nós os escolhemos porque arriscam suas vidas pelos outros, receberam o Prêmio Nobel da Paz e são sérios”, explicaram em algumas entrevistas anteriores ao falar de seu desejo de deixar seus bens para MSF.

Felipe Costa