A Vontade em Ormuz: Europa pronta para uma “missão de segurança” para garantir a abertura total e incondicional

A cimeira do “Willing” em Paris termina com um sinal de unidade sem precedentes. Apesar das recentes aberturas de Teerão, os líderes de França, Itália, Alemanha e Reino Unido traçaram uma linha intransponível: o Estreito de Ormuz deve voltar a ser uma rota livre e segura, livre de qualquer lógica de guerra.

Posição de Macron: “Dos anúncios aos factos”

O presidente francês, Emmanuel Macron, saudou os sinais vindos do Irão, mas alertou que a diplomacia não é suficiente. Para consolidar estes resultados no longo prazo, Macron confirmou o projecto de uma missão militar de segurança liderada pela coligação. “Esta missão é legítima porque permitirá consolidar os anúncios no curto prazo e, sobretudo, dar-lhes-á a possibilidade de resistir no longo prazo”, explicou o proprietário do Elysée. Macron fez questão de esclarecer um ponto fundamental: a operação será distinta dos beligerantes, funcionando como uma força neutra de garantia do direito internacional.

A frente dos líderes: Meloni, Starmer e Merz

Ao lado de Macron, os líderes das principais potências europeias reiteraram a urgência de uma ação coordenada: para Giorgia Meloni, a liberdade de navegação em Ormuz é uma “questão central” não só como princípio de direito, mas devido ao seu enorme peso económico. “As cadeias de abastecimento mundiais dependem deste passo”, lembrou, sublinhando o interesse nacional italiano na estabilidade das rotas.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, destacou o sucesso do encontro, que reuniu 49 países. O objectivo é claro: manter o estreito totalmente aberto para “manter os preços baixos para todos e evitar maiores danos” à economia global.

O Chanceler alemão, Friedrich Merz, expressou a vontade de Berlim de fazer a sua parte, ao mesmo tempo que vinculou a intervenção militar a dois passos fundamentais: uma resolução do Conselho de Segurança da ONU e a aprovação do Parlamento alemão (Bundestag), conforme exigido pela Constituição.

Rumo a uma resolução da ONU

A estrada está traçada. Os “Willing” irão agora trabalhar intensamente a nível diplomático para obter o mandato da ONU. O objetivo não é apenas reabrir temporariamente a passagem, mas estabelecer uma defesa que desencoraje futuras tentativas de “privatização” ou bloqueio do Estreito. A mensagem vinda de Paris é inequívoca: a Europa e os seus aliados estão prontos para proteger, mesmo militarmente, o coração pulsante do comércio global de energia.

Felipe Costa