Cosenza e aquela negociação que deve ser reaberta depois das idas e vindas da Rota-Guarascio

Depois de um dia marcado por tensões crescentes e troca de documentos duros, à noite vazou a notícia de um possível encontro entre as partes nas próximas horas. Ainda um sinal informal, mas suficiente para reacender a sensação de que as negociações para o futuro de Cosenza podem regressar, pelo menos por um momento, a um caminho de confronto direto após dias de parede a parede.
O domingo começou com a resposta do empresário Vincenzo Rota ao comunicado divulgado pelos proprietários da Cosenza. Quem fala é o advogado Giuseppe Carratelli, que reconstrói ponto a ponto a negociação para a aquisição do clube rossoblù.
Segundo Carratelli, a afirmação da empresa “não corresponde aos fatos” e exige esclarecimentos com respeito aos torcedores e às instituições. O advogado relembra a primeira reunião, no dia 22 de maio, com a assinatura de um acordo de confidencialidade e o convite para apresentação de oferta de 100% das ações. Três dias depois chegou a manifestação de interesse da Rota, acompanhada do pedido de documentação contabilística, que só seria enviada após reiterados lembretes.
É justamente nas contas do clube que se concentra uma das disputas mais pesadas. «Quando a documentação foi finalmente enviada – escreve Carratelli – a realidade que surgiu foi desconcertante: a exposição da dívida era mais do dobro do que foi proposto oralmente. Não é um detalhe: um abismo.” A nota destaca ainda supostas inconsistências nos dados posteriormente fornecidos, com bens indicados como o dobro das dívidas sem a devida justificação técnico-jurídica. Apesar disso, Rota teria optado por seguir em frente “movida pela sua paixão pelas cores rossoblù e pela vontade de mudar o destino de Cosenza”.
No dia 11 de junho seria enviada uma proposta formal por e-mail certificado, sujeita à devida diligência e ao exame completo da documentação patrimonial e financeira. Segundo a reconstrução do advogado, essa comunicação ficou sem resposta. Após novos lembretes, no dia 15 de junho a Rota teria entrado em contato direto com Eugenio Guarascio, reiterando sua iniciativa e enviando um novo e-mail certificado com oferta financeira e solicitação de reunião urgente. Mesmo neste caso, afirma Carratelli, nenhuma confirmação concreta teria chegado: “As garantias chegaram da maneira mais curta possível, enquanto mexíamos na escrita”.
A próxima edição teria sido aberta no dia 17 de junho, quando os advogados da empresa teriam solicitado a apresentação de “garantias reais idôneas” como condição para a continuidade da discussão. Um pedido que Carratelli rejeita decididamente: «As garantias são discutidas uma vez iniciadas as negociações e não antes».
A resposta dos proprietários só chegaria no dia seguinte, após os horários indicados, tentando – segundo a reconstrução – reduzir a emissão de garantias à simples identificação dos interessados ​​na operação. No resumo final, o advogado elenca o que define como os pontos-chave do assunto: exposição subestimada de dívidas, documentação contábil contraditória, falta de resposta às propostas e ausência de discussão direta.
Daí o apelo final. Se realmente há vontade de ceder, afirma Carratelli, isso deve ser demonstrado através da abertura de uma mesa real, com documentos completos e de uma reunião sem maiores mediações.

Felipe Costa