Jannik levou a Itália ao topo do tênis. Kimi pode trazê-lo de volta ao topo da Fórmula 1. Uma raquete e um volante, dois caminhos diferentes e a capacidade de tornar possível o que parecia muito distante. Andrea Kimi Antonelli chega ao Grande Prêmio do México com a oportunidade de vencer o Campeonato Mundial e se juntar a Sinner entre os símbolos de uma geração capaz de reescrever as fronteiras do esporte italiano. A comparação diz respeito ao significado das suas façanhas: Sinner tornou-se o primeiro italiano número um no ranking ATP em 10 de junho de 2024; Antonelli pode encerrar uma espera de 73 anos. Estabelecer quem é o maior de todos os tempos continua sendo um exercício de opinião, principalmente quando se comparam diferentes disciplinas. Mas um título mundial aos vinte anos abriria as portas da elite azul aos bolonheses. Antes do veredicto da pista, aqui vão cinco curiosidades para conhecer melhor o piloto da Mercedes.
1. O nome dele é Kimi, mas Raikkonen não tem nada a ver com isso
A associação surge naturalmente, mas o seu segundo nome não é uma homenagem ao campeão finlandês. Andrea Kimi Antonelli, nascido em Bolonha em 25 de agosto de 2006, deve esse nome à sugestão de um amigo da família: gostava da forma como jogava junto com os demais. Uma coincidência que se tornou particularmente sugestiva quando chegou também à Fórmula 1.
2. Sua primeira entrada no paddock? Escondido entre os pneus
Em 2014, em Hockenheim, ele tinha sete anos e era pequeno demais para entrar no paddock. Seu pai Marco, envolvido na Porsche Supercup, encontrou uma solução inusitada: escondeu-o dentro de uma pilha de pneus e transportou-o em um carrinho, com um guarda-chuva em cima para cobri-lo. Uma vez lá dentro, um amigo de seu pai conseguiu um passe para ele. É um episódio contado pelo próprio Antonelli: antes de conquistar um lugar entre os grandes, chegou lá quase clandestinamente.
3. Seu ato fala de uma paixão nascida diante dos vídeos
A referência esportiva é Ayrton Senna, que Kimi nunca pôde ver correndo ao vivo. Descobriu assistindo vídeos e DVDs de temporadas passadas, apaixonando-se pelo piloto e pela pessoa. O camisa 12 escolhido para seu monolugar lembra o brasileiro, que também o utilizou no seu primeiro título mundial, em 1988. Antonelli já o havia adotado nas categorias preparatórias: um vínculo que acompanha seu crescimento.
4. Ele já havia pilotado uma Fórmula 1 antes de tirar a licença
Parece um paradoxo, mas caminho e estrada seguem caminhos diferentes. Antonelli já havia realizado testes e participado de treinos livres do Grande Prêmio da Itália de 2024 quando, em janeiro de 2025, passou no exame de habilitação de estrada. A Mercedes também comemorou esse marco. Um esclarecimento: a licença chegou antes de sua estreia na Fórmula 1, que aconteceu no mês de março seguinte, em Melbourne.
5. Ele pulou a Fórmula 3 para acelerar em direção ao sonho
O seu percurso não seguiu todos os passos habituais. Após os títulos da Fórmula 4 italiana e alemã em 2022 e da Fórmula Regional europeia e do Oriente Médio em 2023, Antonelli passou diretamente para a Fórmula 2 em 2024, sem disputar o campeonato de Fórmula 3 da FIA. Uma escolha apoiada pela Mercedes, que decidiu testá-lo a um nível superior. As vitórias vieram no Silverstone Sprint e na corrida principal em Hungaroring, antes da promoção em 2025 para substituir Lewis Hamilton.
O último campeão mundial italiano? Alberto Ascari, 73 anos atrás
Sim, a Itália já teve campeões mundiais de Fórmula 1: dois pilotos, para três títulos. O primeiro foi Giuseppe “Nino” Farina, vencedor do campeonato inaugural de 1950 com a Alfa Romeo. Depois veio Alberto Ascari, campeão mundial com a Ferrari em 1952 e 1953.
Desde então, nenhum piloto italiano venceu o Campeonato Mundial. Os sucessos da Scuderia nas décadas seguintes alimentaram a paixão nacional, mas havia campeões de outras nacionalidades ao volante. Antonelli pode, portanto, encerrar uma espera que atravessa gerações. É aqui que ganha força o paralelo com Sinner: ambos transformaram uma ambição italiana numa possibilidade concreta aos mais altos níveis. Para Jannik, o primeiro lugar no mundo já é história. Para Kimi, hoje, a história ainda aguarda a bandeira quadriculada.