Médicos cubanos na Calábria, Washington Post: «Occhiuto resiste à pressão dos EUA»

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Fique de olho nos médicos cubanos

«Uma região italiana desafia a pressão dos EUA para acabar com um programa de médicos cubanos». Com este título, o Washington Post relançou uma reportagem da Associated Press dedicada à presença de médicos cubanos nos hospitais da Calábria, onde operam para resolver a escassez de pessoal de saúde.

O correspondente da agência americana, que visitou a Calábria nos últimos dias, lembra que atualmente estão presentes na região 320 médicos cubanos, que chegaram graças ao acordo promovido pelo presidente da região Roberto Occhiuto. No relatório, a Calábria é descrita como “uma das raras regiões europeias para onde Cuba envia profissionais de saúde como parte de um programa de longa data que os Estados Unidos querem eliminar”.

O artigo traça as razões que levaram ao acordo, sublinhando como a escassez de pessoal médico forçou o encerramento de alguns departamentos hospitalares. Recorde-se também que os médicos cubanos trabalham há anos em vários países em desenvolvimento, como a Gâmbia e a Venezuela, adquirindo experiência em contextos caracterizados por recursos limitados.

Depoimentos de hospitais e comparação com os Estados Unidos

Entre os depoimentos recolhidos pela Associated Press está o de Francesco Moschella, médico-chefe do hospital Polistena, que recordou as dificuldades que antecederam a chegada dos médicos cubanos em janeiro de 2023: «Foi um desastre. Tive que manter a sala de emergência aberta sozinha.”

O relatório dá ainda conta das palavras do médico cubano Arevalo Cruz, 38 anos, que destacou como a equipa contribuiu para reduzir significativamente o tempo de espera nas urgências: «Não pensávamos que a escassez de médicos fosse tão grave. Antes havia filas que duravam oito ou doze horas, agora um médico atende os pacientes em menos de uma hora”.

O artigo lembra que a presença de profissionais cubanos este ano também motivou uma visita à Calábria de representantes da administração norte-americana. O secretário de Estado Marco Rubio definiu repetidamente as missões médicas cubanas como “uma forma de tráfico de seres humanos”, alegando que o governo de Havana retém grande parte dos salários dos médicos. Numa nota enviada à Associated Press, o Departamento de Estado norte-americano reiterou que as brigadas médicas representam “uma fonte fundamental de dinheiro para o regime cubano”.

O relatório recorda também a visita à Calábria do encarregado de negócios dos Estados Unidos em Cuba, Mike Hammer, acompanhado pelo cônsul-geral americano em Nápoles. “Também enfrentei pressão durante a administração Biden, mas ela aumentou sob Trump”, disse Roberto Occhiuto à Associated Press. O Presidente da Região explicou que ilustrou aos representantes dos EUA as iniciativas lançadas para incentivar o regresso dos médicos calabreses, ao mesmo tempo que reiterou a necessidade de manter operacional o sistema regional de saúde. “Disse ao embaixador Hammer que precisava de manter os hospitais abertos e que pretendo continuar a fazê-lo”, disse ele.

«Berlusconi também ficou intrigado com os médicos cubanos»

O presidente da Região da Calábria, Roberto Occhiuto, escreveu isto num post publicado no seu perfil do Instagram depois de a polémica sobre o recrutamento de médicos cubanos na região, 320 no total, ter reacendido com a administração Trump a criticar abertamente a escolha do governador da Calábria. Berlusconi, continua o post de Occhiuto, “ligava-me continuamente para perguntar como iam as coisas e um dia também fez este vídeo”, explica o governador que anexou ao seu post um vídeo no qual Berlusconi afirmava que “aqueles que vivem no Sul, onde as dificuldades são maiores, devem ter os mesmos direitos que aqueles que vivem no Norte e é precisamente por esta razão que o nosso bom governador da Calábria Roberto Occhiuto teve que chamar centenas de médicos de outros países para Itália”.

Felipe Costa