Mistério diplomático no eixo EUA-Irã: Trump anuncia o acordo sobre urânio e energia nuclear, mas Teerã nega

O presidente americano, Donald Trump, lançou uma série de anúncios perturbadores que anunciam um encerramento repentino do conflito com o Irão. Entre o optimismo da Casa Branca, as negações de Teerão e o papel de mediação do Paquistão, o dossiê nuclear e a segurança marítima encontram-se num ponto de viragem.

Trump: “Acordo em um ou dois dias”

Em entrevista exclusiva à Axios, o magnata ditou o momento da diplomacia: “Acho que chegaremos a um acordo dentro de um ou dois dias”. Segundo o Presidente, os iranianos estão prontos para uma reunião decisiva já no fim de semana. Trump também vinculou o acordo à segurança regional, afirmando que “Israel sairá disto com força”, ao mesmo tempo que reiterou um conceito claro: os bombardeamentos no Líbano devem parar imediatamente. “Não permitirei que continuem a explodir edifícios”, declarou com firmeza.

O Memorando de Três Páginas: Urânio e Fundos Congelados

No centro das negociações em Islamabad – onde o marechal de campo paquistanês Asim Munir confirmou progressos em “questões espinhosas” – está um documento de três páginas. Aqui estão as principais questões da mediação:

A recuperação do urânio: Trump insiste na entrega de stocks enriquecidos (cerca de duas toneladas) aos Estados Unidos. Teerão preferiria a diluição local, mas está a ser considerada uma fórmula mista: parte enviada para um terceiro país e parte diluída sob supervisão internacional.

O mistério dos 20 bilhões: É o ponto mais polêmico. Axios fala de um descongelamento de cerca de 20 mil milhões de dólares em propriedades iranianas como incentivo. Trump negou à Bloomberg uma “troca de dinheiro”, mas os analistas esclarecem o detalhe técnico: não seriam novos fundos norte-americanos, mas sim a devolução de ativos iranianos já bloqueados.

Moratória nuclear: Washington pede paragem de 20 anos; Teerã oferece 5. O compromisso poderia incluir o uso de reatores apenas para fins médicos e estritamente na superfície, desmantelando locais subterrâneos.

O muro de Teerã e a dúvida do Estreito

Apesar do optimismo de Washington, as vozes vindas do Irão são de sinal oposto. Um alto funcionário iraniano, através de Al-Arabi Al-Jadeed, chamou as exigências americanas de “ilógicas e irracionais”, classificando como falso o anúncio de Trump sobre a entrega de urânio. O Kremlin também se alinhou com a prudência iraniana, negando a reconstrução de Axios. Neste impasse, Trump joga a carta da pressão máxima: o Estreito de Ormuz permanecerá bloqueado pela marinha dos EUA até que o acordo seja assinado. “Recuperaremos o urânio quando quisermos”, garantiu Trump, confirmando que poderia viajar pessoalmente para Islamabad se o acordo se concretizasse nas próximas 48 horas.

As incógnitas: mísseis e proxies

A sombra permanece sobre as capacidades balísticas iranianas e o apoio a grupos como o Hezbollah e os Houthis. Embora Israel e os “falcões” republicanos exijam que o desarmamento inclua mísseis, o actual memorando parece centrar-se principalmente na ameaça nuclear e na reabertura das rotas comerciais, vitais para acalmar os preços globais da energia. Se Trump tem razão ou se se trata de uma manobra de pressão psicológica, os factos dirão nas próximas horas.

Felipe Costa