No dia 13 de Agosto de 2007, o corpo de Chiara Poggi, de 26 anos, foi encontrado na sua casa em Garlasco, dando início a um caso judicial que abrangeria quase duas décadas da história judicial do nosso país, desencadeando uma floresta de reconstruções (algumas delas muito imaginativas) e um acalorado confronto entre as partes.
Giancarla Rondinelli, jornalista parlamentar do Tg1, originária de Catanzaro, acompanhou a evolução do caso e escreveu um livro sobre o assunto: L’Imprint. A lição de Garlasco e a confiança dos italianos na Justiça, uma reportagem jornalística rigorosa que tenta trazer ordem a uma história que se tornou, ao longo do tempo, algo muito mais amplo do que um caso judicial.
O julgamento de Alberto Stasi foi longo e contraditório, cada sentença embaralhou as cartas e, há um ano, a Procuradoria de Pavia reabriu o caso. No centro da nova investigação está Andrea Sempio (amigo do irmão de Chiara, Marco) inicialmente considerado alheio aos fatos; sobretudo, há um artefacto com quase vinte anos: a pegada número 33, detectada no local do crime em 2007 mas, na altura, classificada como sem utilidade investigativa. A marca 33, na leitura de Rondinelli, torna-se uma metáfora do sistema: algo que existia mas que ainda não podia ser interpretado e que agora pode mudar toda a narrativa.
Rondinelli escreve com o ritmo de quem conhece o momento da notícia e sabe dosar a informação sem pesar na história; afinal, o livro não antecipa conclusões (a investigação está aberta), mas nesta turbulência mediática, com furos de reportagem e alegadas testemunhas umas atrás das outras, a sobriedade é uma escolha precisa, na verdade, necessária.
Podcasts, documentários, revelações falsas e talk shows: o caso Garlasco continua a entusiasmar o público. Rondinelli atribui essa persistência não ao caráter excepcional do caso, pelo contrário, à sua normalidade. Uma garota, um namorado, uma casa. Um contexto em que é fácil reconhecer-se e talvez por isso tão difícil de se desapegar.
O selo, publicado pela editora calabresa Rubbettino, dá ao leitor a complexidade dos fatos e o peso das questões ainda em aberto. Acima de tudo, surge uma questão que nos preocupa a todos: que relação temos com as notícias judiciais e porque é que somos fascinados por elas de forma tão perturbadora?