O “falso movimento” das pequenas secessões

A grande secessão do Norte do resto da Itália ainda está iminente, também reaparecem pequenas secessões locais, de cidades que querem separar-se de uma província e talvez amanhã (quem sabe?) de um bairro de uma cidade. Só que se a primeira fosse, eloquentemente, definida como a “secessão dos ricos” (assim Gianfranco Viesti), nem saberíamos como chamar estas outras e muitas vezes até temos dificuldade em identificar as razões. Do macro ao micro as coisas parecem complicar-se, porque muitas vezes acontece que estamos lidando mais com o campo das percepções do que com a análise de dados, mais com os sentimentos do que com as esferas das questões institucionais, da economia ou da história.

É verdade que as cidades calabresas são móveis e “movem-se”, com movimentos (pense em deslizamentos de terra ou terramotos) que têm os seus efeitos nas coisas e nas pessoas, como bem mostrou Vito Teti, mas aqui corremos o risco de nos encontrarmos na categoria de “falso movimento”, de movimento aparente gerado por um defeito de observação.
Acontece assim que o que é notícia é o desejo renovado de alguns prefeitos da zona montanhosa de Serre de abandonar a província de Vibo Valentia para se mudar para a estrutura provincial original de Catanzaro, aparentemente considerada mais adequada para o desenvolvimento desta área. A percepção generalizada é, de facto, que ir com Vibo representava apenas um empobrecimento imparável, do qual o desmantelamento do hospital Serra San Bruno é uma concretização visível. No entanto, a questão talvez deva ser observada numa perspectiva diferente, o que nos obriga a desviar o olhar da relação entre uma única área e a sua província de referência para a mais geral do papel e da presença de áreas do mesmo tipo (zonas de montanha) na configuração regional.
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* Escritor, historiador e antropólogo

Felipe Costa