“Ajustamos o PIB em 2026 que cai de +0,7% para 0,6%”. O ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, afirmou-o na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros que aprovou o Documento das Finanças Públicas.
“Os dados da dívida de 2025, 2026 e 2027 ainda são afetados pelo antigo Superbonus, que nos pesa 40 mil milhões em 2026 e depois serão mais 20 mil milhões em 2027. Sem estes dados a tendência da dívida teria sido descendente”, observou Giorgetti.
“No que diz respeito aos 3-3,1% do défice/PIB que tem sido muito discutido, como disse Boskov “a pena é quando o árbitro apita”, estas são as regras, podem concordar ou não. Digo-vos que todo este debate sobre a saída do procedimento me interessou muito até 28 de Fevereiro de 2026, ou seja, um dia antes do início da guerra no Irão, depois disso interessou-me muito menos”. Giorgetti observou.
“É claro que há muitos que se alegram porque a decisão de um árbitro vai contra os interesses nacionais. Isto não acontece noutros países”. concluiu Giorgetti. “Como disse Boskov, ‘pênalti é quando o árbitro apita para que o árbitro decida o pênalti, você pode concordar ou não, mas estas são as regras do jogo’.
Eurostat: défice de Itália em 3,1%
Entretanto, segundo o que foi hoje certificado pelo Eurostat, o Serviço de Estatística da União Europeia, que publicou os dados sobre o défice dos países da Zona Euro, o rácio défice/PIB da Itália para 2025 foi de 3,1%. De acordo com os dados do Eurostat, a Itália deverá, portanto, continuar num processo por défice excessivo. Para sair do procedimento, o défice italiano teria de se situar abaixo do limiar de 3%. No dia 3 de junho, a Comissão Europeia apresentará o pacote de primavera do Semestre Europeu, no qual deverá ser decidido definitivamente se a Itália sairá ou não do procedimento do défice.
Posição na Europa
“Quanto a isso, iremos agir por conta própria? Eu não descartaria essa possibilidade”, disse Giorgetti, respondendo àqueles que pediram um possível isolamento da Itália na Europa em termos de variação orçamentária.
“Falando com os colegas, muitos se encontram, como eu, trabalhando como médicos no hospital de campanha, muitos de nós compartilhamos a mesma forma de ver a situação. Temos feridos chegando de todos os lados, não podemos tratá-los dando-lhes aspirina”. – acrescentou Giorgetti.
Flexibilidade e regras fiscais
“Não pedi uma exceção ao pacto de estabilidade – explicou Giorgetti – pedi que precisamos estar prontos e flexíveis para responder às situações.
Manobra econômica e cenários
Para Giorgetti, “certamente a manobra terá de ser adaptada às situações do momento. Penso que devemos tomar nota da nova situação. O documento prevê cenários, favoráveis, desfavoráveis, adversos”.
“Alguns dos seus colegas me perguntaram o que ele prevê? Eu respondi, pergunte a Trump. Se você acha que o Ministro da Economia é capaz de fazer uma previsão correta dos próximos 6 a 10 meses, acho que você está fora do caminho. Infelizmente, tomo nota de decisões que são tomadas muito além do governo italiano”, acrescentou Giorgetti.
“A prioridade é conter o aumento do consumo de combustível”
Hoje a prioridade absoluta no que diz respeito à economia é travar a situação do aumento dos custos dos combustíveis, estou a pensar em particular nos transportadores, porque é um dos principais motores das tensões inflacionistas. Devemos tentar definir e limitar estes tipos de comportamento oportunista. Sei que as categorias estão em pé de guerra, acredito que esta é a prioridade absoluta”, disse o ministro da Economia Giancarlo Giorgetti, acrescentando que “o corte dos impostos especiais de consumo expira no dia 1 de maio, obviamente na próxima semana avaliaremos, juntamente com as outras coisas que falámos hoje, a ordem das prioridades”.