Nas últimas horas, a Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter atingido um caça F-16 israelita nos céus do centro do Irão, afirmando que o acidente ocorreu às 3h45 da manhã. Segundo Teerã, seria uma “aeronave hostil pertencente ao regime sionista”. A versão israelita, porém, parece mais cautelosa: o exército confirmou o lançamento de um míssil terra-ar contra uma das suas aeronaves envolvida numa operação no Irão, mas sublinhou que não haveria danos. Permanece, portanto, incerto se as duas reconstruções se referem ao mesmo episódio ou a acontecimentos distintos, enquanto a ausência de verificação independente contribui para alimentar a ambiguidade.
Para complicar ainda mais o quadro, os meios de comunicação iranianos divulgaram imagens de fumo no céu, alegando que um segundo avião tinha sido alvo, mas sem fornecer detalhes sobre a sua identidade. Mais uma vez, a informação não foi confirmada por fontes independentes.
Ocorreram, no entanto, explosões numa base militar dos EUA no Bahrein, conforme noticiado pela mídia estatal iraniana, enquanto as autoridades locais convidavam a população a se abrigar. De acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim, várias explosões ocorreram na base militar de Juffair, de propriedade dos EUA, no Bahrein. No seu canal Telegram, o jornal iraniano afirma que esta tarde foram ouvidas várias explosões poderosas em todo o Bahrein. A notícia surgiu no momento em que o Ministério do Interior do Bahrein emitiu um alerta aos seus cidadãos nas redes sociais, convidando-os a “ir para o local seguro mais próximo” devido às sirenes que sinalizavam a chegada de ataques.
Os acontecimentos mais recentes fazem parte de uma sequência de episódios que indicam um aumento progressivo da pressão militar na região. Há poucos dias, Teerã afirmou ter atingido um caça F-35 dos EUA, declarando que a aeronave teria sido seriamente danificada. De acordo com rumores relatados por fontes americanas, um F-35 realmente fez um pouso de emergência no Oriente Médio após ser atingido, embora os detalhes permaneçam limitados.
Ao mesmo tempo, Israel intensificou as suas operações ofensivas. As Forças de Defesa de Israel anunciaram que conduziram uma operação noturna em grande escala contra dezenas de alvos no Irão, concentrando-se particularmente em infraestruturas relacionadas com o desenvolvimento de mísseis balísticos. Os alvos atingidos incluem fábricas de produção, depósitos de componentes e instalações ligadas ao Ministério da Defesa iraniano. Segundo Tel Aviv, estes ataques visam comprometer significativamente a capacidade do Irão de produzir armas estratégicas e representam uma resposta directa ao que descreve como uma ameaça crescente à segurança nacional israelita.
A par da dimensão militar, a dimensão energética também emerge com força. O Irão está a carregar cerca de 4 milhões de barris de petróleo bruto na ilha de Kharg, com um valor estimado em mais de 400 milhões de dólares. A operação, monitorada por empresas de inteligência marítima, sinaliza o desejo de Teerã de manter ativas suas exportações apesar do contexto de instabilidade. Entretanto, o Iraque anunciou a retoma das importações de gás iraniano após uma interrupção de três dias causada por um ataque a uma instalação energética no Irão. A vazão voltou para cerca de 5 milhões de metros cúbicos por dia, nível inferior aos acordos anteriores. A dependência do Iraque do gás iraniano – que cobre cerca de um terço das necessidades energéticas do país – torna Bagdad particularmente vulnerável às tensões regionais. Frequentes cortes de energia e infraestruturas frágeis acentuam o impacto de qualquer choque no sistema energético nacional