Ormuz, tensão no estreito: parada em petroleiros e pedágios em criptomoeda

A tensão está a aumentar no Estreito de Ormuz, um centro estratégico para o tráfego global de energia. Segundo relatos da agência iraniana Fars, o trânsito dos petroleiros teria sido interrompido na sequência dos ataques israelitas ao Líbano, abrindo um cenário de forte incerteza para os mercados e para a segurança da navegação internacional.

Pedágios de criptomoeda e verificações em navios

Entretanto, o Irão está a considerar novas medidas para controlar o tráfego marítimo durante o cessar-fogo de duas semanas. Isso inclui exigir que as empresas de navegação paguem pedágios em criptomoeda para cruzar o estreito.

Os detalhes são ilustrados por Hamid Hosseini, porta-voz da União dos Exportadores Iranianos de Petróleo, Gás e Petroquímicos, que explicou ao Financial Times como Teerão pretende monitorizar todos os navios em trânsito. “O Irão deve controlar o que entra e sai do estreito para evitar transferências de armas”, disse ele, sublinhando que os procedimentos serão minuciosos e sem pressa.

Segundo o que surgiu, cada petroleiro terá de comunicar a sua carga às autoridades iranianas, recebendo depois indicações sobre a portagem a pagar. A tarifa esperada seria de um dólar por barril de petróleo, enquanto os navios vazios poderiam transitar sem custos. As decisões operacionais seriam confiadas ao Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, com a hipótese de forçar os navios a seguirem a rota norte, mais perto das costas iranianas.

Dúvidas sobre a legitimidade das medidas

No entanto, as hipóteses apresentadas por Teerão suscitam fortes dúvidas a nível jurídico internacional. Isto foi destacado por Stefano Zunarelli, professor catedrático de direito da navegação na Universidade de Bolonha, segundo quem tais alegações “parecem não ter base jurídica”.

O pagamento de portagem, explica o especialista, só pode ser solicitado na presença de serviços efetivamente prestados pelo Estado costeiro, como o acompanhamento de um piloto a bordo. Na ausência de tais condições, a introdução de tarifas representaria um precedente perigoso, potencialmente extensível a outros estreitos internacionais.

No centro do debate permanece o princípio da “passagem inofensiva”, um pilar histórico do direito da navegação. «Questionar este princípio – sublinha Zunarelli – significaria regressar a uma fase anterior à liberdade dos mares teorizada por Hugo Grozio no século XVII», com consequências significativas para o comércio global.

Um centro crucial para o comércio mundial

O Estreito de Ormuz representa uma das principais artérias energéticas do planeta, por onde transita uma parte significativa do petróleo mundial. Quaisquer restrições ou abrandamentos, como os hipotetizados, correm o risco de afetar não só os custos dos bens, mas também o equilíbrio geopolítico e a estabilidade dos mercados internacionais.

Felipe Costa