A estabilidade da participação eleitoral nas eleições regionais na Calábria, que desde 2014 e durante quatro eleições consecutivas se manteve em torno de 44%, à primeira vista parece ir contra a tendência em comparação com outras regiões que mostraram um claro declínio de eleitores no mesmo período de tempo. No entanto, uma análise mais cuidadosa e aprofundada revela que nem sempre são os mesmos eleitores que vão às mesas de voto ou se abstêm. Pelo contrário, a evidência empírica tende a dar uma imagem de fortes flutuações de entrada e saída em correspondência com as diversas situações eleitorais. De facto, se considerarmos as tendências a nível municipal nas duas últimas eleições regionais, notamos, por vezes, diferenças notáveis nas percentagens de participação entre a volta de 2021 e esta última em 2025. As diferenças negativas naqueles 81 municípios onde o presidente da Câmara e a renovação do conselho municipal foram também evidentes em 2021 foram também evidentes, por exemplo. E são igualmente evidentes as diferenças nos municípios onde a votação premiou fortemente as listas com candidatos locais que receberam muitos votos preferenciais, desta vez com um sinal positivo.
Diferenças positivas e negativas que tendem a anular-se, determinando uma estabilidade substancial nas diversas eleições tanto no número de participantes como na percentagem de eleitores. Na realidade, os dados municipais indicam que são vários os eleitores calabreses que decidem se votam ou se abstêm naquela determinada eleição, determinando, entre uma eleição e outra, um fluxo de eleitores composto por eleitores que voltam a votar e outros que decidem ficar em casa, fluxo que permanece oculto nas estatísticas oficiais. Deparamo-nos, mesmo nestas últimas eleições regionais, com o chamado fenómeno dos abstencionistas “intermitentes”, ou seja, eleitores que vão de uma eleição a outra, da abstenção à participação e vice-versa. Ou seja, o eleitor decide, de tempos em tempos, se vai ou não às urnas.
A participação “intermitente” na votação dos calabreses é muito provavelmente consequência do julgamento sobre uma determinada oferta eleitoral, centrada nas pessoas: só vou votar se houver um candidato preferido. A maior participação, como deduzimos dos resultados por município, é na verdade quase sempre determinada pelo voto por pessoa, pelo voto de preferência atribuído aos candidatos a vereadores. Poderíamos reportar vários casos de municípios onde há muitos abstencionistas “intermitentes” que voltaram a votar durante as últimas eleições. Só para dar alguns exemplos, entre os municípios com maiores percentagens de eleitores estão Caraffa di Catanzaro, com 65,2%, Cerenzia, com 61,6%, e Laganadi, com 67,5%. Em Caraffa o primeiro partido é “Nós Moderados” com 35,3% e com um candidato que obtém 320 votos dos 349 da lista. Em Cerenzia é a lista “Forza Azzurri” que obtém 63,2%, graças ao candidato Mascaro (prefeito do município) que obtém 365 votos preferenciais dos 386 da lista. E no pequeníssimo município de Laganadi o candidato Cirillo recebe 108 preferências em comparação com os 124 votos que foram para Forza Italia (56,9%). Ainda mais singular é o caso de Scido onde o prefeito Giuseppe Zampogna foi candidato pela lista “Occhiuto Presidente”, que preencheu as preferências, 351 dos 351 votos na lista, e aumentou a participação em mais de 11 pontos percentuais em relação aos regionais anteriores.
Mas mesmo em grandes municípios o efeito candidato pode trazer grandes benefícios à participação. A título indicativo, reportamos os casos de Castrolibero, Soverato e Cosenza onde houve uma participação muitos pontos superior às médias provinciais e regionais.
*Professor de Sociologia Política – Universidade da Calábria
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