Os ataques ucranianos forçam a Rússia a importar gasolina. Putin admite: “Os ataques nos prejudicam”

Adicione a Gazzetta del Sud como fonte

Vladímir Putin

A Rússia, segundo maior produtor mundial de petróleo, vê-se obrigada a importar combustível de outros países para tentar fazer face à escassez no mercado interno devido aos ataques ucranianos a diversas refinarias e à paralisação de algumas fábricas para trabalhos regulares de manutenção. O vice-primeiro-ministro Alexander Novak, responsável pelo setor energético, admitiu oficialmente uma circunstância que a comunicação social já vinha comentando há algum tempo. Enquanto outra admissão veio do próprio Vladimir Putin. Os ataques das forças de Kiev a instalações industriais e centros logísticos e comerciais não têm “consequências críticas”, mas “certamente prejudicam” a economia russa.

Rússia, a escassez de combustível e as consequências dos ataques ucranianos

Uma avaliação das consequências dos bombardeamentos ucranianos cada vez mais profundos em território russo – nas últimas horas foi atingida uma refinaria em Ufa, a 1.400 quilómetros da fronteira – foi feita durante uma reunião do Conselho para o Desenvolvimento Estratégico e Projectos Nacionais, que contou com a presença do próprio chefe do Kremlin. No centro da discussão estão não apenas os ataques às fábricas de refinação, mas também aos armazéns e centros logísticos da Wildberries, uma empresa líder no comércio online russo, à qual um grande número de pequenas e médias empresas deve uma grande parte do seu volume de negócios.

Putin admite danos à economia russa

Putin começou por avaliar o crescimento da economia nacional como “modesto mas positivo”, com um aumento estimado do PIB de “1%”. E admitindo que pesa uma série de factores, incluindo “pressões externas e ataques terroristas a instalações e infra-estruturas industriais”. Ou seja, os ataques de drones ucranianos. “Naturalmente não há consequências críticas destes ataques, não houve e não pode haver – assegurou o líder russo –. Mas certamente nos prejudicam, isso é óbvio”. Depois, relativamente aos Wildberries, afirmou que, “apesar dos recentes ataques terroristas”, a infraestrutura comercial “opera de forma eficaz e permanece resiliente”. Mas “a logística e as instalações de armazenamento, claro, devem ser recuperadas, inclusive com a participação do Estado”.

Rússia recorre à importação de combustíveis

Mas a questão mais delicada abordada foi a escassez de combustível. Os ataques ucranianos às refinarias há muito que forçaram o governo a proibir as exportações de gasolina e gasóleo, enquanto um regime de racionamento de vendas foi introduzido em muitas regiões. Longas filas de motoristas em postos de gasolina também podem ser vistas em Moscou atualmente. Alguns deles disseram à ANSA que tiveram que esperar até uma hora para abastecer. Agora o executivo também joga a carta da importação para tentar satisfazer as necessidades.

“As importações já começaram e foram adoptadas as regulamentações necessárias para permitir a produção adicional de combustíveis de padrões mais baixos, ou seja, Euro 2, Euro 3 e Euro 4”, especificou Novak numa entrevista à televisão estatal transmitida pela agência Tass. O vice-primeiro-ministro não disse de que países são feitas as importações, mas vários meios de comunicação especulam que poderão ser a Índia e o Cazaquistão, bem como a Bielorrússia.

Felipe Costa