“Os Carabinieri” de Joppolo no Teatro Messina dirigido por Roberto Zorn Bonaventura: a guerra como farsa de consenso

A guerra nem sempre vem com a queda de bombas. Às vezes ele bate na porta, senta na sala e explica pacientemente porque é melhor ir embora. Esta é a premissa de “I Carabinieri – Uma farsa sobre a guerra”, texto de Beniamino Joppolo que estreia amanhã à noite, quarta-feira, 1 de abril, às 21h, no Teatro di Messina, dirigido por Roberto Zorn Bonaventura.

O espetáculo, produção do Teatro di Messina – Centro de Produção Teatral, traz ao palco Monia Alfieri, Marina Cacciola, Gianluca Cesale, Gerri Cucinotta, Vincenzo Palmeri, Antonio Previti e Damiano Venuto. Os figurinos são desenhados por Cinzia Preitano, a assistente de direção é de Martina Morabito, com a colaboração de Marilisa Busà.

“Guerra? Aquele fato de avançar e matar os inimigos? – explica Bonaventura – O carabiniere é, literalmente, um soldado que carrega uma carabina, uma arma. No texto de Beniamino Joppolo os carabinieri entram nas casas com calma, não impõem: explicam, definitivamente enganam. Apresentam a guerra como uma oportunidade, uma possibilidade de redenção, um investimento no futuro. As conquistas estão garantidas, as recompensas asseguradas. Há até assinatura em um contrato. é difícil não confiar diante de tanta clareza.”

“A guerra aqui não é fúria, é organização – acrescenta o diretor – E é justamente nesta organização que reside a ilusão: a ilusão de que a violência pode ser administrada, de que a conquista é um direito, de que o sacrifício tem uma lógica e uma recompensa. Joppolo constrói um mecanismo ao mesmo tempo irônico e cruel.

“O espetáculo – conclui Bonaventura – funciona sobre um duplo movimento: o sorriso que antecede o embate, a promessa que prepara a mutilação, a palavra que torna aceitável o irreparável.

Em palco de 1 a 11 de abril (excluindo dias 4, 5 e 6). Cortina às 21h.

Felipe Costa