Padre Samu e a missão em Vulcano: «As ilhas não são lugares para viver só no verão»

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Num tempo em que as redes sociais multiplicam os contactos, mas nem sempre constroem relações profundas, evangelizar significa redescobrir o valor da presença. Um olhar, uma palavra, um tempo compartilhado. Em Vulcano, ilha que se enche de turistas no verão e volta a uma dimensão mais intimista no inverno, este desafio ganha um significado particular. Aqui, onde a comunidade tem cerca de 650 habitantes nos meses de inverno, Dom Samuele Le Donne, conhecido pelas crianças como Padre Samu, optou por construir uma pastoral baseada na proximidade, na escuta e na continuidade.

Originário da paróquia de Camaro San Paolo (Messina), Dom Samuele, ordenado sacerdote em 2022, descobriu a sua vocação no oratório. Chegou à ilha como administrador paroquial há pouco menos de um ano, no dia 1 de novembro de 2025, trazendo consigo a convicção de que «ser pároco nas Ilhas Eólias não é uma missão impossível: no verão, quando tudo está cheio, parece ainda mais fácil. O verdadeiro desafio, porém, é estar lá o ano todo.”

Para o sacerdote, portanto, as Ilhas “não são lugares para passar apenas férias, mas uma realidade viva para viver, acompanhar e apoiar sempre”. Desta visão nasceu a primeira missão popular que decorreu de 8 a 11 de Setembro, promovida em conjunto com o reitor do seminário arquiepiscopal “San Pio
“Foi uma iniciativa que uniu as minhas duas comunidades”, afirma o Padre Samu, sublinhando “o valor de uma experiência que nos permitiu partilhar não só momentos de oração, mas também fragmentos da vida quotidiana”.

Os seminaristas visitaram uma exploração leiteira e foram confrontados com o mundo do trabalho e com as dificuldades dos jovens chamados a escolher entre ficar na ilha ou procurar o seu futuro noutro lugar. Conheceram também os voluntários da Cruz Vermelha Italiana, que trabalham diariamente ao lado das pessoas mais frágeis e nas emergências de saúde, “os anjos da guarda da ilha”, como os define o sacerdote, reconhecendo o valor de uma presença discreta mas fundamental para a comunidade.

Não faltaram momentos de convívio e oração: jogos e danças no campo paroquial, uma noite no pinhal da Casa Pavia, uma focacciata e catequese vocacional; ocasiões simples e informais, através das quais a missão procurou criar relações, ouvir e partilhar tempo. A iniciativa encerrou com a vigília de adoração eucarística no adro da Igreja Vulcano Porto: juntamente com os paroquianos, alguns transeuntes também pararam para um momento de oração, confissão ou simplesmente silêncio.

É uma imagem que transmite bem o significado da experiência vivida nestes dias: «Tirar a Igreja dos seus espaços habituais, para a vida da Ilha, para encontrar as pessoas onde elas estão», disse o Padre Samuele, explicando que a missão «continua na vida quotidiana: nas visitas às famílias, na escuta dos idosos, no cuidado dos doentes e na proximidade de quem trabalha».

Felipe Costa