Plano urbano de Messina, o processo começou com as orientações da antiga Câmara

Em Messina ainda hoje vigora um plano geral que remonta a 1998, no seu primeiro projecto, e a 2003, se considerarmos a versão alterada (ou melhor, distorcida), aquela que contribuiu para o saque construtivo das colinas, partindo do pressuposto – evidentemente incorrecto – de que a cidade atingia quase 300 mil habitantes. Tanto tempo se passou que hoje os habitantes giram em torno de 216 mil e o Plano não se chama mais Prg, mas sim Pug, Plano Geral Urbano. E mesmo na véspera da demissão do Presidente da Câmara Federico Basile – exactamente duas semanas antes – o conselho liderado por este último iniciou o processo, completo com directrizes, para dotar a cidade com a sua nova ferramenta de planeamento urbano.

O primeiro passo foi dado em 10 de fevereiro, com a aprovação pelo Conselho de um documento político que fornece as diretrizes para a elaboração do Pug. A segunda etapa surgiu na semana passada, dia 16 de abril, com o Município colocado sob administração policial, quando o responsável pelo procedimento, Eng. Alessandro Visalli, publicou o edital convidando os cidadãos “a apresentarem propostas e sugestões” face ao documento preliminar, no prazo de 30 dias, através do portal dedicado no site institucional do Município. Portanto o mesmo rup terá que enviar o documento preliminar do Plano, o projecto do mesmo, à Câmara Municipal, convocar as conferências de planeamento, providenciar a publicação de todos os documentos. Deverá também ser identificado um gabinete municipal dedicado ao Pug e sobretudo as figuras a quem serão confiados os necessários estudos especializados (agrícolas, florestais, geológicos, demográficos e socioeconómicos e arqueológicos), para depois chegar à avaliação ambiental estratégica e à avaliação de impacto ambiental.
Um longo caminho, portanto, que envolve um calendário de mais de um ano e que a antiga administração Basile iniciou com um dos seus últimos actos, aprovando um substancial documento de 55 páginas, assinado pelo ex-autarca e pelo ex-vereador Salvatore Mondello, que contém as directivas gerais que deverão constituir a pedra angular do próximo plano urbano. Um documento que é uma espécie de “manifesto” programático que reflecte claramente a visão política da antiga administração Basile, que, no entanto, já não está em funções, visto que três dias antes daquela resolução o presidente da Câmara tinha demitido, o que foi então confirmado em 27 de Fevereiro.
Existem quatro “macrotemas” que inspiram estas directivas.
A primeira chama-se “Centralidade da paisagem e protecção do território”, e gira em torno da protecção e valorização das paisagens florestais, fluviais, lacustres e costeiras, mas também da criação de “uma rede de infra-estruturas ambientais de qualidade paisagística” e da redução da “vulnerabilidade dos edifícios e tecidos construtivos aos riscos naturais e antrópicos”.
O segundo ponto é a “Regeneração da cidade existente”, portanto a requalificação da cidade do século XX do Plano Borzì, mas também a identificação de alguns objectivos, como os de “aumentar a oferta generalizada de novas centralidades locais, urbanas e metropolitanas” e de “potenciar e repovoar a rede de aldeias históricas”.
Terceira área temática, “Redes infraestruturais integradas”, que parte de alguns elementos constantes do já aprovado Plano Urbano de Mobilidade Sustentável (plano de segurança rodoviária, reforço dos transportes públicos locais, criação de redes contínuas pedonais e ciclo-pedonais), da “sinergia dos dois portos de Messina” e do reforço de redes de serviços conectados “para estimular novos empreendedorismo”.
O quarto e último elemento chama-se “Atratividade do território” e visa promover programas “para a recuperação e valorização de sistemas integrados natureza-cultura” e para a “melhoria da oferta de atividades e serviços ligados ao desenvolvimento do turismo e da cultura”. Parece um programa eleitoral, dados os tempos atuais. E antes é um ato administrativo já aprovado, para um processo, dos mais importantes para um Município, já em curso.

Felipe Costa