Ele era um menino, Alaa Faraj, no verão de 2015. Tinha 20 anos, estudava engenharia e jogava futebol. Mas o seu país, a Líbia, foi dilacerado pela guerra civil. A obtenção do visto era impossível, não existiam canais humanitários, a única forma de sair era extremamente perigosa: embarcar num barco, à mercê dos traficantes de seres humanos.
Alaa consegue, embarca com três amigos, também jogadores de futebol. Durante aquela travessia desesperada, 49 pessoas morreram sufocadas no porão. Mas o horror não termina aí: ao desembarcar, Alaa é acusado de ser um dos contrabandistas. Ele foi definitivamente condenado a 30 anos de prisão por múltiplos assassinatos e por ajudar e encorajar a imigração ilegal. Desde então está preso no Ucciardone em Palermo; desde então proclamou a sua inocência e escreveu um livro – «Por que eu era menino» (Sellerio) – que é, numa espécie de diálogo epistolar com Alessandra Sciurba, professora de Filosofia do Direito na Universidade de Palermo e activista dos direitos humanos, um diário daqueles dias e de hoje, quando a sua história e a sua voz são recolhidas por outros. Outros que acreditam nele, que se aprofundam em depoimentos e testemunhos, que apontam “a injustiça escondida na justiça”. Tanto é que no dia 22 de dezembro de 2025 o Presidente da República Sergio Mattarella concedeu-lhe um perdão parcial: Alaa terá de cumprir mais nove anos, talvez, se tudo correr bem, cinco. Nesse ínterim, ele estudou e matriculou-se na universidade. E ele nunca deixa de acreditar na justiça e na solidariedade.
A história de Alaa, e o seu livro, serão discutidos em Messina, terça-feira, às 18 horas, no salão principal da Reitoria. O encontro, promovido pela Caritas e pela Arquidiocese de Messina, Universidade de Messina, Libera e Cesv, será moderado pela jornalista da Gazzetta Anna Mallamo: após as saudações institucionais da Reitora Giovanna Spatari e do bispo auxiliar Monsenhor Cesare Di Pietro, Don Luigi Ciotti, fundador do Libera, intervirão o jurista Gaetano Silvestri, ex-presidente do Tribunal Constitucional, Maria Teresa Collica, professora de Direito, intervindo em direito penal, Alessio Lo Giudice, professor de Filosofia do Direito, e Alessandra Sciurba, editora do livro; as leituras serão do ator Corrado Fortuna. Alaa Faraj poderá participar se as autoridades competentes concederem autorização. E todos nós esperamos que sim.