Rubio em Genebra, discussão com Kiev e os europeus sobre o plano dos EUA para a paz na Ucrânia

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou a Genebra para uma nova rodada de negociações sobre o plano de paz dos EUA para a Ucrânia. Autoridades ucranianas e europeias também estão à mesa: a delegação de Kiev deverá ser liderada pelo conselheiro presidencial Andriy Yermak, com o secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov, enquanto Rubio será acompanhado pelo enviado presidencial Steve Witkoff.

O documento em discussão é um plano de 28 pontos que Washington pediu a Kiev que avaliasse até 27 de Novembro. A administração dos EUA apresenta-o agora como um quadro de referência para a abertura de negociações, e não como uma proposta definitiva, sugerindo espaço para revisão.

No entanto, o projecto suscitou fortes dúvidas entre os aliados da Ucrânia porque foi considerado demasiado próximo dos pedidos russos, especialmente devido às hipóteses de transferências territoriais e às limitações das capacidades militares de Kiev. Segundo rumores divulgados pela imprensa americana, os Estados Unidos procuram um compromisso menos penalizador, pelo menos nos pontos mais contestados, de modo a tornar credíveis as garantias de segurança prometidas à Ucrânia.

Rubio, falando publicamente, reivindicou a autoria americana do plano: explicou que o texto foi elaborado pelos Estados Unidos a partir da recolha de elementos tanto de Moscovo como de Kiev e indicou-o como base para a continuação da discussão. Com estas palavras rejeitou a ideia de que o documento seja apenas uma lista de exigências russas transmitidas a Washington.

A resistência europeia permanece clara. À margem do G20, em Joanesburgo, um grupo de países aliados sublinhou que a proposta “requer mais trabalho” e que, no seu estado atual, corre o risco de deixar a Ucrânia exposta a novas agressões no futuro. Neste clima, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou uma reunião por videoconferência dos países que apoiam Kiev para terça-feira, reiterando que sem medidas de dissuasão credíveis a Rússia poderá atacar novamente. Na mesma linha esteve a Ministra das Forças Armadas francesa, Alice Rufo, que insistiu na inegociabilidade da dignidade e da liberdade da Ucrânia e na necessidade de a Europa ser uma parte essencial de qualquer acordo duradouro.

As conversações de Genebra abrem-se, portanto, com um duplo objectivo: esclarecer até que ponto Washington pretende modificar o seu esquema negocial e verificar se existe um terreno comum entre Kiev e os seus aliados europeus para apresentar uma posição coordenada. O formato e o local final das reuniões permanecem fluidos, mas os riscos são elevados: transformar um projecto contestado numa via de negociação que não comprometa a segurança futura da Ucrânia.

Felipe Costa