Tubarões, o risco dos vídeos virais: três criadores mordidos em um ano

Nadando ao lado de um tubarão, recuperando, publicando. É a sequência que está no centro de um debate que a BBC reacendeu ao reconstruir uma série de encontros imediatos que terminaram mal e depois se tornaram virais: segundo a emissora britânica, pelo menos três criadores foram mordidos por um tubarão em menos de um ano. Os três eventos, entretanto, não são sobreponíveis.

Os três casos

No dia 9 de janeiro, a advogada brasileira Tayane Dalazen, 36 anos, foi mordida na coxa por um tubarão-lixa enquanto praticava mergulho com snorkel em Fernando de Noronha – a BBC descreve o espécime como tendo mais de dois metros de comprimento. Ela escapou com dois pontos e publicou ela mesma o vídeo, que se tornou viral; ela esclareceu que não entrou na água para produzir conteúdo e depois contou à emissora que descobriu posteriormente que os organizadores da excursão estavam alimentando os tubarões para aproximá-los dos turistas. Em julho, o neozelandês Henry Gibbs, criador da indústria pesqueira, foi mordido por um tubarão cinza de recife em Fiji enquanto praticava caça submarina: a cena foi registrada por sua câmera de vídeo, mas ele não havia mergulhado para filmar o animal. Ele passou por quatro cirurgias e um enxerto de pele. Em novembro, um turista chinês de 26 anos foi mordido no pulso por um tubarão-lixa enquanto mergulhava nas Maldivas.

O que os dados dizem

Pesquisadores deArquivo Internacional de Ataque de Tubarãoo banco de dados da Universidade da Flórida que rastreia mordidas de tubarão, disse à BBC que observou um aumento de casos entre aqueles que tentaram recapturar os animais durante três anos. O risco global permanece muito baixo: em 2025, o arquivo confirmou 65 mordidas não provocadas no mundo, nove das quais foram fatais, em linha com a média de 61 nos cinco anos anteriores. Porém, um dado deve ser lido com atenção: a ISAF classifica como “provocadas” as mordidas sofridas por quem toca ou incomoda o animal e quem pratica pesca submarina, ficando portanto fora dessa contagem.

Felipe Costa