Vara 2026: quantos fotojornalistas ilustres para imortalizar a procissão

Ao longo do tempo, a Vara tem estado no centro não só das crónicas vívidas de muitos viajantes italianos e estrangeiros, mas também de grandes fotógrafos que imortalizaram alguns momentos da histórica procissão de meados de agosto em Messina. Entre estes, Paolo Di Paolo, o fotojornalista de Molise conhecido pelas suas fotografias dos grandes protagonistas da cultura do nosso século XX, ilustre autor de “Il Mondo” e colaborador de Pierpaolo Pasolini. Di Paolo, em 1957, filmou grupos de mulheres que, descalças, correm pelo passeio para puxar as amarras, com um efeito cenográfico verdadeiramente intenso, capaz de retratar todo o esforço, o cansaço, a dor física mas também a fé e a devoção dos milhares de atiradores e atiradoras.
Em 1966, outro nome lendário da nossa fotografia artística, o veneziano Gianni Berengo Gardin, recentemente falecido, chegou à Sicília e – conforme relatado no volume “Sicilia 1966/2008 (Livro Humboldt) – tirou três magníficas fotografias em movimento; uma que captura a “machina festiva” arrastada por muitas atiradoras (na época as mulheres eram verdadeiramente as protagonistas!) perto da Piazza Ottagona-Juvara, uma das a segunda dispara por baixo o esforço dos atiradores descalços sobre a pedra de lava molhada, e a terceira, a mais evocativa, imortaliza alguns fiéis em oração durante a procissão, entre olhares perdidos, sublimados e sublimados, verdadeiramente imersos num êxtase que não se explica com pura e simples racionalidade.
Esta é, portanto, a magia de uma tradição milenar, eternizada também por testemunhas de autores, à qual gostaríamos de acrescentar os inesquecíveis fotojornalistas que imortalizaram muitas edições da Vara para a “Gazzeta” e noutros locais. Recordamos os falecidos irmãos Natalino e Agostino Saya, Michelangelo Vizzini, Enzo Sturniolo, Filippo La Cava, juntamente com Nino Bellinghieri, que com a sua câmara RTP proporcionou aos espectadores momentos únicos da procissão. Gostamos de saber que eles já estão prontos, com câmeras e câmeras de vídeo, para eternizar o seu, e o nosso, querido cortejo lá de cima.
Concluímos com alguns versos dedicados à Vara da inesquecível poetisa messina Maria Costa: «O Matri Assunta a fuda è tanto que curri e canta/ e Tu Matru Assunta nta tà tà in turmenta isa, isa la To Mani Santa».

Felipe Costa