Violência contra as mulheres na Calábria, Straface: “Recursos, serviços, formação e autonomia: a Região está a reforçar concretamente a rede anti-violência”

Mais de um milhão para o fortalecimento e apoio aos serviços dos CAVs e casas de refúgio autorizadas. Intervenções para mulheres com deficiência, prevenção nas escolas e menores vítimas de violência presenciada. Com “Mulheres Livres” 3,486 milhões para inclusão ativa e empregabilidade. Em setembro nova programação também para formação de operadores e autonomia habitacional

“Na luta contra a violência contra as mulheres é necessário trazer a discussão de volta aos factos, ações e recursos efetivamente implementados. A Região da Calábria está a realizar um programa estruturado que intervém na prevenção, proteção, apoio aos serviços, formação dos profissionais que atuam na rede e nos caminhos de inclusão e autonomia das mulheres.

É o que afirma a conselheira regional do Bem-Estar e Igualdade de Oportunidades, Pasqualina Straface, fazendo um balanço das intervenções regionais para a prevenção e combate à violência de género.

“Comecemos pelos Centros e Abrigos Anti-Violência autorizados a funcionar pela Região da Calábria. De acordo com o Decreto Primeiro-Ministro 2024, dispõem de mais de um milhão de euros para o reforço e apoio de serviços.

Ainda no âmbito dos recursos do Decreto Primeiro-Ministro 2024, foram atribuídos 250.800 euros a intervenções que visam evidenciar o fenómeno da violência sofrida pelas mulheres com deficiência.

“Queríamos prestar atenção específica às mulheres com deficiência, que podem estar expostas a condições de particular vulnerabilidade. Trazer à luz situações de violência que muitas vezes permanecem ocultas e construir respostas adequadas significa poder chegar àqueles que correm maior risco de permanecerem invisíveis”. Do lado da prevenção, mais de 300 mil euros, novamente ao abrigo do Decreto do Primeiro-Ministro de 2024, foram atribuídos a atividades de sensibilização em escolas abrangentes da Calábria, garantindo a cobertura durante todo o ano letivo 2025-2026.

“A violência não se combate só quando já aconteceu. A prevenção passa da educação ao respeito, à igualdade e às relações saudáveis. Por isso optamos por investir nas escolas e nas novas gerações”.

A estas medidas somam-se 350 mil euros de fundos regionais 2025 destinados a intervenções a favor de menores vítimas de violência presenciada.

“Não podemos esquecer as crianças e os jovens que testemunham a violência no seio das suas famílias. Eles também são vítimas e precisam de proteção específica e de caminhos de apoio”. Um outro eixo da estratégia regional é representado pelo projeto “Mulheres Livres”, financiado no âmbito do PR Calábria FESR FSE+ 2021-2027, com uma dotação total de 3.486.200 euros para intervenções de inclusão ativa e empregabilidade.

As ações visam promover a igualdade de oportunidades, a não discriminação e a participação no mercado de trabalho, com especial atenção aos grupos vulneráveis, e prevêem o reforço da rede de serviços sociais, de saúde e de emprego.

“A fuga à violência não pode terminar apenas com a protecção. Uma mulher deve ser colocada em condições de reconstruir a sua vida e não ser forçada a voltar atrás por falta de alternativas. A autonomia económica, a formação, a inclusão e o trabalho são parte integrante de um verdadeiro caminho para a liberdade”.

Formação de operadoras e mulheres: um eixo da nova programação

“Um capítulo em que pretendemos investir com particular atenção é o da formação. Em Setembro, com a programação do plano trienal com base nos fundos do Decreto Primeiro-Ministro 2025, serão disponibilizados recursos específicos para a formação dos operadores dos Centros Anti-Violência e Casas de Acolhimento, porque fortalecer a rede significa também investir nas competências e qualificações de quem acolhe, ouve e acompanha as mulheres no caminho da fuga à violência no dia a dia”. A par da formação dos operadores, a programação incidirá também na formação das mulheres vítimas de violência, como ferramenta para reforçar as suas competências, empregabilidade e independência.

“São duas dimensões diferentes mas complementares: por um lado, devemos ter serviços cada vez mais qualificados e profissionais adequadamente formados; por outro, devemos oferecer às mulheres oportunidades concretas para adquirirem novas competências, acederem ao trabalho e alcançarem a independência económica.

A programação foi compartilhada com a mesa regional

Straface também intervém na representação na mesa regional.

“É necessário esclarecer que o CADIC não é um órgão legalmente reconhecido. Na Mesa Redonda participaram os órgãos gestores dos serviços autorizados a funcionar pela Região da Calábria.

A discussão com quem trabalha diariamente ao lado das mulheres é fundamental e continuará sendo. Precisamente por esta razão é igualmente importante que o trabalho discutido e partilhado nos ambientes institucionais seja corretamente representado externamente”.

A nova programação começa em setembro

“A programação do plano trienal terá início em Setembro, recorrendo aos recursos do Decreto Primeiro-Ministro 2025, através de intervenções que visam o reforço e apoio aos serviços, a formação dos operadores, a autonomia habitacional e a formação das mulheres vítimas de violência. Queremos simultaneamente reforçar a capacidade de intervenção da rede e a das mulheres para construir um caminho para a plena autonomia”.

A Região da Calábria também publicou um edital para novos Centros Antiviolência, cujas candidaturas podem ser apresentadas até 30 de setembro.

“O objetivo – conclui Straface – é ampliar e fortalecer ainda mais uma rede qualificada e difundida em todo o território. Quando se trata de violência contra as mulheres, a discussão é sempre útil, mesmo quando é crítica, mas deve partir dos fatos.

Os recursos existem, as intervenções estão ativas e a nova programação está pronta para ser implementada. Continuaremos a trabalhar em conjunto com os Centros Anti-Violência, os Abrigos e todos os sujeitos da rede com um objectivo que está acima de qualquer polémica: proteger as mulheres e acompanhá-las rumo a uma verdadeira liberdade, feita de segurança, competências, trabalho, autonomia habitacional e independência económica”.

Felipe Costa