“Prefiro não”: a gentil dissidência dos alunos de Arquimedes no Cinema Lux de Messina

O projecto “Da página ao cenário”, curso de formação inserido no programa “Per Chi Crea” promovido pelo Siae e apoiado pelo Ministério da Cultura, que visa a promoção cultural e artística de jovens a nível nacional e internacional, terminou com a estreia no Cinema Lux de Messina da curta-metragem “Preferirei di no”. Os protagonistas são os alunos do ensino médio científico e linguístico de Arquimedes, coordenado pelo diretor Francesco Calogero como tutor, em colaboração com entidades culturais como Nutrimenti Terrestri, Universi Teatrali, Cineforum Don Orione e Polittico.

O enredo: entre Melville e os protestos escolares

O curta-metragem, dirigido por Giorgio Bensaia e Gabriel Lo Presti, aborda o tema do poder e da resistência não violenta, escolhendo como símbolo a famosa frase “Prefiro não”, inspirada na história *Bartleby, o Escrivão* de Herman Melville.

A história se passa no colégio “Eraclito”, onde o novo ano letivo abre com uma disposição do severo diretor Corallo: para evitar disparidades entre os alunos, é imposto um traje obrigatório, uma simples camiseta branca. Entre os meninos está Manuel, lidando com uma situação familiar difícil e com um sentimento não correspondido por Valéria. A jovem também vivencia uma condição de desconforto: esmagada pelas expectativas do pai e presa em uma relação sufocante, ela luta para afirmar suas aspirações artísticas.

O gesto de dissidência e o efeito emulativo

A virada acontece quando Manuel decide quebrar as regras vestindo uma camiseta vermelha com os dizeres “Há um novo xerife na cidade”. Quando solicitado a se conformar, ele responde com calma, mas com firmeza: “Prefiro não”. A suspensão disciplinar resultante não extingue o protesto, mas desencadeia um efeito emulativo entre os estudantes, transformando um gesto individual numa forma coletiva de dissidência contra o autoritarismo.

Um caminho de excelência para o Archimede High School

Com “Preferirei di no”, o laboratório de cinema de Arquimedes dá continuidade a um caminho já iniciado com as obras anteriores Il bosco delle lele e Um instante de felicidade, que obtiveram inúmeros prémios nacionais e internacionais, confirmando o compromisso de abordar as questões sociais através da linguagem do cinema.

A diretora da escola Laura Cappuccio mostrou-se satisfeita e sublinhou o valor deste percurso em que “Calogero proporcionou aos alunos (cerca de 80 envolvidos) as ferramentas para criarem, passo a passo, o produto final, adquirindo competências técnicas e relacionando-se entre si”. O projeto “Da página ao cenário” ofereceu assim aos alunos uma oportunidade concreta de formação artística e cívica, demonstrando como a escola pode transformar-se num laboratório criativo capaz de aliar literatura, cinema e reflexão crítica sobre o presente.

Felipe Costa