Uma viagem musical que começa na Calábria: a música de Angelo Laganà conta a história das 16 cidades que sediarão a Copa do Mundo

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Quando um estádio da Copa do Mundo se prepara para receber uma partida, as atenções inevitavelmente se voltam para os campeões, para os desafios em campo, para a paixão dos torcedores. Mais raramente focamos na música que acompanha essas imagens e contribui para a construção da sua identidade. No entanto, para Angelo Laganà, músico originário de Melito di Porto Salvo, é precisamente aí que se esconde uma parte essencial da história.

Para a Copa do Mundo de 2026, Laganà assina um projeto composto por dezesseis músicas originais, uma para cada uma das cidades que sediarão as partidas. Uma obra que nasceu na Calábria mas olha para o mundo, imaginando a música como uma ponte capaz de ligar diferentes lugares e paixões. Não se trata de simples acompanhamentos sonoros, mas de composições pensadas para contar a identidade das cidades através da linguagem universal das notas.

Uma história musical entre identidade e emoções

“Cada metrópole, através das minhas notas – diz ele – tem a sua alma, a sua história, o seu ritmo que consegui transformar em música com imensa paixão”. Uma ideia que se traduz numa verdadeira homenagem às cidades destinadas a escrever uma página na história do futebol mundial, através de melodias que pretendem evocar emoções e um sentimento de pertença. Toda a música foi composta por Laganà, com exceção da música dedicada a Nova York, criada por sua filha Francesca. Os arranjos contam com a assinatura dos mestres Adelmo Musso e Massimo Idà. A maioria das composições foi executada com acordeão midi e acompanhada por uma orquestra de 35 instrumentos.

Angelo Laganà: uma história cheia de paixão e satisfação

Afinal, a música acompanha Angelo Laganà desde a infância. Ele tinha apenas dois anos quando recebeu de presente um pequeno acordeão de brinquedo, um acontecimento que marcaria o resto de sua vida. Cinco anos depois chegou seu primeiro instrumento de verdade, aos treze anos escreveu sua primeira música e ganhou um concurso de rádio Rai. Nos anos seguintes juntou-se aos Jokers, grupo musical que conseguiu atrair a atenção de importantes protagonistas da cena musical italiana.

Ao lado da música, cresceu também a paixão pelo futebol, herdada do pai. Uma lesão logo o obrigou a se afastar do jogo, mas não o abandonou completamente. Na verdade, através da fotografia desportiva continua a vivenciar de perto o mundo do futebol, chegando mesmo a fotografar o golo de Angelo Mammì que estava destinado a dar a volta ao mundo. A partir daí surgirão colaborações e experiências que marcarão o seu percurso profissional. Entre eles, o encontro com Ezio Greggio, que o aproximou pela primeira vez do mundo editorial. Tendo-se mudado para Roma, fundou a “Roma Mia”, a primeira revista italiana a cores, iniciando uma longa actividade que entrelaça a edição, a fotografia e o desporto.

No entanto, a música nunca sai da vida de Angelo Laganà: em julho de 2022 compôs o hino dos dez anos de pontificado do Papa Francisco, posteriormente também traduzido para o espanhol. No mesmo ano, recebeu a honra de Comendador da Ordem do Mérito da República Italiana, em nome do Presidente Sergio Mattarella.

Da Calábria ao cenário mundial

O projeto dedicado à Copa do Mundo parece abranger todas as almas de sua história: a música, o futebol e a vontade de falar de lugares e pessoas. Não se trata apenas de uma coleção de músicas, mas da tentativa de dar voz sonora às cidades que sediarão o evento esportivo mais assistido do mundo. De Melito di Porto Salvo às grandes metrópoles dos Estados Unidos, o percurso de Angelo Laganà segue um rumo inusitado, lembrando que as histórias mais inesperadas muitas vezes surgem longe dos locais onde acabam no centro das atenções.

Felipe Costa