“Abandone o petróleo”: a lição de Hormuz e o apelo dos especialistas da Thinkingreen em Taormina

“Devemos abandonar o petróleo” é o apelo lançado pelos especialistas da Thinkingreen em Taormina.

“O encerramento do Estreito de Ormuz e as graves consequências daí decorrentes ensinaram-nos que devemos explorar a possibilidade, agora mais concreta do que nunca, de deixar de utilizar combustíveis fósseis, mas de investir em hidrogénio renovável para o transporte aéreo, como o e-SAF (Combustível de Aviação Sustentável) e o amoníaco verde para o transporte marítimo”: o futuro sustentável do pós-guerra no Irão é claro segundo a professora de Sistemas de Energia da Universidade de Catânia Rosario Lanzafame, que falou durante a palestra do Prémio das Nações no sala de reuniões do NH, onde ocorreu uma discussão multivocal na presença do Conselheiro de Energia da Região da Sicília, Francesco Colianni, que presidiu o painel “Sicília: o desafio 100% renovável”.

E a própria Sicília poderá ser a protagonista do novo e revolucionário cenário, visto que aqui já se refina o combustível para muitos aeroportos, não só os sicilianos, que nos próximos anos poderá ser transformado na produção de novas energias como o combustível eléctrico: “O querosene sintético é um combustível com características idênticas ao actual – explicou o Prof. Lanzafame – provém da refinação, mas que não necessita de petróleo, mas sim de hidrogénio totalmente renovável e de resíduos industriais.

Entre os palestrantes também o presidente da ASM, Giuseppe Campagna, o presidente da Sicilia Fiera – Heysun, Antonio Di Cavolo, e o gerente geral da Sunleonard Energy, Stefano Salerno. Até agora isso não foi aproveitado porque houve falta de consciência e de oportunidade, que desta vez na Sicília existem, especialmente com a ajuda da União Europeia com custos certamente competitivos em relação ao passado com o preço zonal da energia”. A mesa redonda moderada pelo jornalista Maurizio Scaglione, após saudações do organizador Michel Curatolo, presidente do Prêmio Nações – Thinkingreen, contou com a presença do embaixador do Uruguai na Itália Alfredo Guillermo Bogliacini Llambi, que apresentou via video link uma reportagem sobre a política verde do país sul-americano: “No início dos anos 2000 dependíamos dos combustíveis fósseis, em pouco mais de duas décadas tudo mudou, uma redução de mais de 60% e ao mesmo tempo um crescimento constante das fontes renováveis incluindo a energia eólica. Em 2024, a energia produzida a partir de fontes renováveis ​​representará 64% da oferta com distribuição em hidráulica (46%), fotovoltaica (3%), eólica (34%), biomassa (13%) e térmica (1%), agora pretendemos explorar o potencial do hidrogénio”.

O papel da Universidade de Messina

É particularmente significativo o papel da Universidade de Messina, presente não como um simples parceiro institucional, mas como sujeito ativo na construção de uma reflexão científica e cultural sobre questões de sustentabilidade. A Universidade de Messina confirma assim a sua capacidade de dialogar com o território, contribuindo com competências especializadas e visão interdisciplinar para um tema que hoje já não pode ser abordado apenas numa perspetiva técnica ou política, mas requer o envolvimento da investigação, formação e inovação.

Insere-se neste contexto a participação do Prof. Nicola Cicero, professor de Química Alimentar da Universidade de Messina, cujo papel destaca outro eixo estratégico da sustentabilidade: aquele ligado à qualidade, segurança e valorização das cadeias de abastecimento agroalimentar. Numa região como a Sicília, onde o ambiente, a agricultura, a biodiversidade, as produções típicas e o turismo representam elementos intimamente ligados, o contributo da Química Alimentar torna-se central para a construção de modelos de desenvolvimento sustentável verdadeiramente baseados no conhecimento científico.
Também esteve presente a Profª Roberta Salomone, professora de Ciências das Mercadorias da Universidade de Messina, que forneceu o contributo científico da Universidade para o debate sobre os temas da economia circular, da sustentabilidade dos processos produtivos, da gestão responsável dos recursos e da transição para modelos de desenvolvimento mais eficientes e ambientalmente compatíveis.

O professor Cícero destacou a importância de um produto de qualidade, como o dos grãos milenares, que não pode ser considerado na cadeia produtiva em termos de quantidade, mas sim de qualidade. Um produto que possui propriedades nutricionais valiosas também em termos proteicos e que, por isso mesmo, deve ser protegido; talvez através da criação de uma marca colectiva ou de uma marca de certificação regional, potenciando a cadeia de abastecimento também em termos de segurança alimentar. A protecção da produção local, o controlo de contaminantes, a caracterização química dos alimentos, a valorização dos subprodutos agro-alimentares e a inovação nos processos de produção representam hoje ferramentas essenciais para reforçar a competitividade do território siciliano sem sacrificar a segurança e a qualidade.

Cícero restaura assim a imagem de uma Universidade de Messina fortemente envolvida nos processos de mudança: por um lado a análise dos sistemas de produção e dos modelos económicos sustentáveis, por outro a expertise químico-alimentar aplicada às cadeias de abastecimento, à saúde do consumidor e à valorização dos recursos naturais. Duas perspetivas diferentes, mas perfeitamente complementares, que mostram como a transição ecológica exige competências integradas e uma forte ligação entre a investigação científica, as instituições e o mundo produtivo.

Os temas abordados no dia inaugural incluem também a mobilidade verde, as energias renováveis, o papel das autoridades locais e das empresas na transformação sustentável do território. O painel “Taormina aceita o desafio… rumo à mobilidade verde” envolve especialistas dos setores energético e ambiental, confirmando a abordagem transversal da iniciativa.

Felipe Costa