Em Lipari debate sobre justiça e informação: o valor da autonomia protege direitos

Há um ponto onde o trabalho do jornalista e o do judiciário se encontram inevitavelmente: o da informação, das fontes, da confiança.
Mas aí surge uma pergunta: “Quão livre pode ser alguém que, para falar de poder, tem que construir relações com quem exerce esse poder?”.
A discussão sobre “Justiça e Constituição”, promovida em Lipari pelo Centro de Estudos Eólicos, partiu desta reflexão, com o presidente da associação nacional de magistrados, Giuseppe Tango e o diretor da Gazzetta del Sud Nino Rizzo Nervo, que destacaram o valor da relação de confiança entre jornalista e fonte.
Para quem conta notícias judiciais, muitas vezes é essencial conhecer as pessoas que trabalham nos tribunais. Mas a confiança não pode tornar-se dependência: «O jornalista deve manter a distância necessária para verificar a informação e manter a sua autonomia», explicou Rizzo Nervo. No entanto, a comunicação judicial passa cada vez mais por comunicados de imprensa e conferências de imprensa, enquanto o jornalista deve investigar, verificar e reconstruir; se a informação se tornar demasiado difícil de obter, o risco é que a protecção da confidencialidade produza o efeito oposto, deixando espaço para reconstruções incompletas e suspeitas.
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Felipe Costa