A atenção internacional está crescendo sobre o hantavírus dos Andes após os casos registrados a bordo do navio Mv Hondius. Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem atualmente 11 casos notificados entre passageiros e tripulantes: nove confirmados e dois considerados prováveis. O número provisório também inclui três mortes.
Entre as pessoas que estavam no navio, quatro estão agora sob observação em Itália, precisamente no Véneto, Toscana, Campânia e Calábria.
A OMS convidou todos os países envolvidos a manterem uma vigilância sanitária elevada, recomendando uma quarentena de 42 dias para passageiros e tripulantes a partir da data de desembarque. “Esperamos mais casos, dada a dinâmica de propagação num navio e o período de incubação do vírus”, alerta a agência da ONU. Ao mesmo tempo, porém, a organização especifica que “atualmente não há indicações do início de um surto maior”.
O que é o hantavírus dos Andes e por que preocupa os especialistas
O hantavírus dos Andes pertence à família dos chamados hantavírus do “Novo Mundo”, difundidos principalmente na América do Sul. Ao contrário de muitos outros hantavírus, transmitidos quase exclusivamente de animais para humanos, o vírus dos Andes tem uma característica que preocupa a comunidade científica há anos: a possível transmissão entre humanos. Segundo dados da plataforma internacional HantavirusLive, foram documentados 338 casos de hantavírus em todo o mundo, estando atualmente em observação 145 pessoas em 70 países. Os dados, no entanto, não incluem a China, onde estas infecções têm sido historicamente generalizadas. O Observatório de Doenças Raras do Istituto Superiore di Sanità lembra que na Ásia Oriental, particularmente entre a China e a Coreia do Sul, as formas de febre hemorrágica associadas aos hantavírus continuam a causar milhares de casos todos os anos, embora com números progressivamente decrescentes.
O ponto crucial dos testes: poucas ferramentas e quase nenhuma certificada
Um dos principais problemas diz respeito ao diagnóstico do vírus dos Andes. Os laboratórios podem contar com alguns testes específicos e quase todos são classificados como “Research Use Only” (Ruo), portanto autorizados exclusivamente para atividades de pesquisa e não para uso clínico. Uma situação que dificulta o trabalho das estruturas regionais de saúde chamadas a organizar a vigilância seguindo as indicações do Ministério da Saúde. “Estamos entrando em uma fase de triagem ativa, ou seja, de identificação de pessoas que tiveram contato com casos confirmados”, explica à ANSA o microbiologista clínico Francesco Broccolo, da Universidade de Salento e chefe da Universidade de Microbiologia e Virologia UOSD do PO Vito Fazzi. Segundo o especialista, limitar os exames apenas aos sintomáticos seria um erro: “Mesmo quem não apresenta sintomas pode ser infeccioso”.
Transmissão assintomática e os receios da comunidade científica
Um dos aspectos que mais alarma os estudiosos diz respeito à possibilidade de o vírus também poder ser transmitido por pessoas assintomáticas ou pré-sintomáticas. A hipótese também é apoiada pela Sociedade Internacional para Pesquisa de Hantavírus e foi documentada por um estudo publicado em 2023 pelo Instituto Robert Koch de Berlim na revista Emerging Infectious Diseases. A pesquisa mostrou que o vírus dos Andes pode ser eliminado já no primeiro dia após a infecção através da mucosa oral e da urina. Um elemento que reforça a importância da vigilância preventiva. “Focar apenas nos casos manifestos significa ignorar a parte oculta da transmissão”, observa Broccolo. “Na fase inicial, entre o terceiro e o décimo dia após a infecção, o vírus já está presente e o teste molecular representa a ferramenta mais sensível para identificação de casos”.
O vírus muda pouco: sequência genética tranquiliza especialistas
Notícias consideradas parcialmente tranquilizadoras vêm da análise genética do vírus isolado no paciente hospitalizado em Zurique. A sequência, divulgada pela comunidade científica internacional, apresenta semelhança de 99% com uma cepa identificada na Argentina em 2018. Segundo especialistas, os dados sugerem que o vírus manteve considerável estabilidade genética, sem acumular mutações significativas nos últimos anos. Um elemento importante também na frente do diagnóstico. “Isso significa que os kits experimentais desenvolvidos nas cepas argentinas também poderiam funcionar de forma eficaz no vírus que circula atualmente”, sublinha Broccolo. “É uma margem significativa de confiabilidade enquanto se aguarda testes certificados específicos”.
Vigilância e controles ativos: o objetivo é evitar novos surtos
As autoridades internacionais de saúde estão agora a concentrar esforços no rastreio de contactos e na monitorização de possíveis casos secundários. O objetivo, explicam os especialistas, é identificar rapidamente quaisquer casos positivos antes que os sintomas apareçam, evitando a criação de novos clusters internacionais ligados às viagens no Mv Hondius. Por esta razão, a OMS continua a recomendar uma monitorização rigorosa dos passageiros e tripulantes nos respetivos países de regresso, enquanto os laboratórios europeus trabalham para reforçar a capacidade de diagnóstico e os sistemas de vigilância.