O Pontífice abordou claramente a tensão com a Igreja na Alemanha em relação à bênção dos casais homossexuais. “A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada”, reiterou o Papa, sublinhando, no entanto, que a unidade eclesial não deve ficar refém de questões ligadas à sexualidade. Segundo Francisco, existem desafios “muito maiores e mais importantes”, como a justiça, a igualdade e a liberdade. Ecoaram isto as palavras do Cardeal Prevost, que recordou como a Igreja é uma casa aberta: «Quando o sacerdote ou o Papa abençoa no final de uma celebração, essa bênção é para todos».
Migrantes: «Tratados pior que os animais»
Sobre a questão da migração, o Papa usou palavras muito duras contra a desumanização dos fluxos: “Os migrantes são seres humanos e devem ser tratados de forma humanitária, não pior do que os animais”. Embora reconhecendo o direito de um Estado de “estabelecer regras para as suas fronteiras” e de gerir as entradas de forma ordenada, Francisco alertou os governos: a dignidade humana permanece inviolável, independentemente dos limites numéricos que um país decida impor.
O apelo ao Irão e ao Estreito de Ormuz
Amplo espaço foi dedicado à crise geopolítica no Estreito de Ormuz. O Papa definiu a situação como “caótica e crítica para a economia mundial”, lamentando a incerteza das negociações entre os Estados Unidos e o Irão. “Não sabemos quem criou esta situação, mas há toda uma população no Irão de pessoas inocentes que estão a sofrer”, disse ele, citando comoventemente uma carta que recebeu de famílias iranianas que perderam os seus filhos nos primeiros dias dos ataques. “É preciso pensar com maior abertura”, concluiu o Papa, exortando todas as partes a fazerem um esforço extraordinário para o diálogo, único instrumento capaz de deter o rasto de morte que atinge quem não é culpado.