Ucrânia, para Trump o acordo está próximo: Kiev pressiona por um acordo, mas Moscou desacelera: “Guerra até o Natal”

Algo continua a mudar para a Ucrânia. O presidente norte-americano, Donald Trump, mostrou-se otimista e o ucraniano Volodymyr Zelensky fez saber que quer vê-lo o mais rapidamente possível para desatar os nós restantes antes de dar luz verde à proposta. Em vez disso, como é tradição, Moscou não parece ter pressa em fechar. Na verdade, de acordo com várias fontes, está pronto a dizer não a uma proposta que trai os acordos entre Trump e o Presidente russo, Vladimir Putin, na cimeira de Anchorage, em 15 de Agosto.

“Acho que estamos muito perto de um acordo, vamos descobrir”, disse o presidente norte-americano durante a tradicional cerimónia em que perdoou dois perus na véspera do Dia de Ação de Graças. E enquanto estiver em Mar-a-Lago para celebrar o Dia de Ação de Graças, Trump poderá receber a visita de Zelensky. Ou pelo menos esta é a esperança do presidente ucraniano. Kiev parece decidida a aceitar o plano depois dos pesados ​​ajustamentos à proposta original de 28 pontos, especialmente se as alterações adicionais solicitadas forem alcançadas. Neste momento, a Ucrânia obteve a capacidade de ter um exército de 800 mil homens e não de 600 mil. Mas as questões espinhosas das concessões territoriais que a Rússia exige e das garantias de segurança para Kiev ainda permanecem, incluindo a perspectiva de entrada na NATO, como confirmado pelo chefe de Gabinete de Zelensky, Andyi Yermak. E as competências diplomáticas da segunda fila não serão suficientes para resolvê-los.

Zelensky quer discutir isso diretamente com Trump e está pronto para voar para os Estados Unidos nos próximos dias, quando a América fizer escala para o Dia de Ação de Graças. Entretanto, na reunião virtual da Coligação dos Dispostos que se realizou hoje, e pela primeira vez com o Secretário de Estado americano Marco Rubio, o presidente ucraniano lembrou a todos que a guerra continua e que Kiev precisa de ajuda para se defender mais do que nunca. “A guerra da Rússia contra a Ucrânia ainda não acabou, todos os dias a Rússia mata os nossos soldados na frente e todos os dias ataca as nossas cidades”, lembrou. A Primeira-Ministra Giorgia Meloni também participou na reunião e voltou para mostrar o seu apreço pelas negociações em curso e pediu à Rússia que aproveitasse a oportunidade para construir a paz. Mas também para pedir que Kiev tenha “sólidas garantias de segurança”.

Por seu lado, o presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que Kiev não deveria ter limitações ao seu exército e garantiu que estão a ser feitos trabalhos sobre este assunto. A nova versão de 19 pontos do plano de paz, acordado em Genebra, foi discutida pelo segundo dia em Abu Dhabi por enviados dos Estados Unidos e da Rússia. Segundo a versão oficial, as negociações entre o secretário das Forças Armadas, Dan Driscoll, “estão indo bem”.

Mas os rumores vindos de Moscou são bem diferentes. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serghei Lavrov, deixou claro que Moscovo não aceitará nada que se desvie do texto original, conforme noticiado pelo Financial Times. “Depois de Anchorage, quando pensávamos que estes acordos tinham sido formalizados, houve uma longa pausa”, disse, e agora surge “este documento em que toda uma série de questões, obviamente, requerem esclarecimento”. Segundo o New York Post, a Rússia não só rejeitará o texto, como apontará o dedo aos Estados Unidos ao afirmar abertamente que Trump e Putin tinham concordado em princípio com o plano de 28 pontos durante a cimeira no Alasca, em 15 de Agosto. E aquela lista de desejos de Moscovo que Trump parecia ter aceite no Alasca foi agora anulada.

A estratégia de Moscovo seria prolongar as conversações com Donald Trump e continuar a guerra pelo menos até ao Natal.

Felipe Costa