Da zona rural de Metapontino ao massacre dos trabalhadores queimados vivos em Amendolara, a investigação se expande

Quilómetros de formas, cores, cheiros. O espetáculo oferecido pela planície de Sibari que se estende até a Basilicata, fundindo-se com outra planície exuberante, a de Metapontino. A paisagem muda, campo após campo, país após país. Cada aldeia tem o seu mar, a sua praia, a sua paisagem sem fim que, do amanhecer ao anoitecer, se enche de corpos. Corpos sem história, sem nomes, sem nada.
É daqui, desta terra tão maravilhosa e grávida de frutos que começou a sombria história do massacre dos trabalhadores, uma trama amarga e ainda em parte desconhecida. Uma investigação que, por enquanto, identificou os dois supostos algozes. Mas o chefe dos procuradores Castrovillari, Alessandro D’Alessio, pretende reconstruir o sistema de gangmasters e a exploração de trabalhadores estrangeiros. A dele, por enquanto, é uma investigação baseada em boatos. Vozes que vêm das profundezas deste território. Vozes de sofrimento que vêm da mais distante e inalcançável Sibaritide, aquela povoada pelos “invisíveis” que vivem acorrentados. Pessoas dormindo em casas superlotadas, seguindo instruções dos cabos, que administram não só suas casas, mas também suas vidas.
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Felipe Costa